Nas últimas 2 semanas, 3 elementos da BOLSA SOLIDARIA DA HUÍLA andaram pela rua principal da cidade (Rua Cdt Hoji Ya Henda), tentando compreender a razão de tantas crianças que pernoitam e alimentam-se a volta dessa área. Começamos por granjear a confiança deles, dando comida quente bem como vestuário, dado que estão desnudados, cheios de frio.
Depois de um trabalho de interactividade entre a bolsa e alguns grupos, contamos nestes dias 184 crianças naquela local.
Dia 16, fizemos acompanhar-nos da polícia e entregamos 14 crianças nas respectivas casas. Encontramos os pais embriagados (tivemos de pedir ajuda a vizinhos e familiares) e também encontramos famílias que não queriam mesmo receber as crianças tendo que a polícia insinuar outros meios para nos abrirem as portas. Tecido familiar completamente destruturado.
FACTOS APURADOS
Nº Total de Crianças encontradas: 184
POSSIVEIS SOLUÇÕES, SEGUNDO A BOLSA PARA MITIGAR O DIAGNOSTICO FEITO
1. Envolvimento profundo das respectivas administrações, tanto da cidade, como dos municípios, sinalizando essas famílias e com ajuda das respectivas polícias responsabiliza-las;
2. Tornar as escolas locais numa segunda família, numa segunda casa, com o fornecimento diário do almoço, refeição quente, criando para isso refeitórios;
3. Divulgar, através dos meios disponíveis, a toda população urbana que não deve dar nada a estas crianças, tornando assim a cidade não apetecível;
4. Estudar uma forma de que essa vontade de doação a que fizemos referencia acima, seja canalizada para os almoços na escola, como para instituições credíveis, (Ex: Criança Feliz);
5. Estimular as ONGs estabelecidas localmente a criar mais fundos de algum rendimento, (Ex: Kwenda) para estas famílias, bem como sustentabilidade, como hortas e criação de animais domésticos familiares;
6. Em última analise e só quando o tecido familiar tiver completamente desgastado, institucionalizar essas crianças, mesmo que seja provisoriamente, enquanto se tenta resolver os problemas de fundo familiares.
Não podemos deixar de manifestar a ausência de assistentes sociais na província, profissionais que nos ajudariam a coordenar e a resolver este grave problema.
Acabamos como começamos
LUBANGO CIDADE
SEM MENINOS DE RUA
Actualização: Está noite (5 de Julho), na cidade do Lubango, foram albergadas 21 crianças. Uma equipa de psicólogos está a caminho do local de acolhimento, pois estas crianças precisam de conversarem e serem ouvidas. (por: Maria José)
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