Administração da Chibia aposta nas benfeitorias

Administração da Chibia aposta nas benfeitorias

FOTO: Estanislau Costa
FOTO: Estanislau Costa

Considerada uma das vilas mais antigas da Huíla, a Chibia completou 92 anos no dia 30 de Outubro.

Nas principais artérias notam-se algumas transformações, percetíveis até para quem a visita pela primeira vez. Apesar da existência de edifícios corroídos pelo tempo, as árvores podadas, jardins floridos, casas pintadas e a limpeza em dia, como se diz na gíria, destacam-se na descrição da localidade.


"Quando cá chegamos deparamo-nos com um quadro pouco vistoso. Havia imensas casas por pintar. Achamos por bem, a equipa da administração mais os munícipes, arranjar tintas e pintores para começarmos a mudar a face da Chibia”. As palavras são do administrador municipal, Sérgio da Cunha Velho.
"Teremos a segunda e a terceira fase de benfeitorias, de modo a que, quando cá vier, daqui a seis meses, volte a perguntar o que foi feito para a mudança de aspeto da Chibia”, promete Cunha Velho. "Muitos dos nossos concidadãos não trabalham, não têm renda nenhuma. É nossa preocupação, no âmbito dos programas de combate a pobreza, encontrar maneiras de ajudar os munícipes a terem uma habitação condigna”. Faz a afirmação no decorrer de uma breve visita guiada, que inclui a passagem por escolas em construção e obras paradas, antes de falar ao detalhe sobre os principais projetos esmiuçados na entrevista anexa.


Estávamos em frente a Administração municipal, quando a conversa foi interrompida. "Um conhecido…” desculpou-se. Trata-se de um senhor de idade, alto e de figura imponente, não obstante a aparência desgastada das suas vestes. Persistente, mesmo diante "das visitas”, o mais velho não aceitou adiar o propósito da abordagem. Desconhecemos o teor do diálogo mantido em língua nacional nyaneka.
Ainda assim, foi fácil perceber que o foco é a assistência humanitária. "Sou de Quilengues, falo bem umbundu, mas consigo comunicar-me em nyaneka”. Sérgio Cunha Velho antecipou-se à pergunta. Numa escola primária recém reabilitada, várias meninas se aproximaram. Invertem os papéis. Colocam as interrogações em sequência. Elas pertencem ao grupo que estudava debaixo de árvores. Mudaram-se para aquela escola um dia antes da nossa equipa de reportagem ter lá estado. Elas também são conhecidas do administrador.
Ao se dirigirem a Sérgio da Cunha Velho tratam-no pelo nome completo. Sorridentes, pedem autógrafos. Com entusiasmo, falam do futuro da nova escola. Deixam antever planos coincidentes com os anseios de milhões de pais e filhos angolanos, porque também acreditam no poder transformador da educação. Contudo, bem perto da Chibia, algures na comuna da Quihita, para centenas de crianças e jovens, a existência de escolas equivale a sonhos utópicos.
Construções desordenadas
A Chibia tem sido alvo de construções desordenadas, e a maioria da população do município vive em casas pouco condignas, com exceção das populações residentes na vila municipal, e nas sedes comunais de Capunda – Cavilongo, Quihita e Jau, cujas residências foram erguidas com tijolos e blocos de cimento. Na Chibia, está em curso um programa de apoio à construção dirigida. Os munícipes beneficiam de lotes de 1000 metros quadrados, na reserva fundiária, cuja adesão tem produzido resultados satisfatórios.


As grandes quantidades de resíduos domésticos que são depositados em lugares impróprios, águas estagnadas por falta de esgotos, e o corte indiscriminado de árvores, provocam danos ao ambiente. Por essa razão, defende-se a necessidade de regular as construções, com base numa política de gestão e urbanização. Para o efeito, urge a necessidade de se elaborar um Plano Diretor Municipal.
Famílias vulneráveis
A nível da Chibia, são controladas 4.600 famílias vulneráveis e atingidas profundamente pela seca. Idosos e crianças passam fome, apresentando um grau elevado de desnutrição, com principal incidência nas comunas da Quihita e Jau, onde há regiões que não chove há mais de dois anos. Na comunidade San, que apresenta uma grande preocupação às autoridades locais, devido à sua extinção, pelo menos 248 famílias vivem da caça e da recolha de frutos silvestres. A localidade necessita, da parte do Governo, uma atenção especial, para a sua inserção no processo produtivo.
Vias de acesso e transportes.


O município da Chibia não possui serviços de transporte público, conta apenas com serviços privados. No que se refere ao acesso às comunas e outras localidades da província da Huíla, devido ao mau estado das vias e pontes, este serviço é geralmente assegurado por carrinhas e camiões de particulares, que asseguram o transporte de passageiros e mercadorias.

Estão também presentes no município, os moto taxistas, vulgo kupapatas que, em velocípedes de duas ou três rodas, transportam passageiros e mercadorias diversas. Os moto taxistas estão representados no município pela Associação de Moto Taxistas de Angola (AMOTRANG).


Constituindo prioridade do município, a aquisição de miniautocarros, para a transportação dos funcionários públicos residentes na cidade do Lubango. O município assenta a sua economia na agricultura e na pecuária, pois todas as comunas estão localizadas em zonas muito férteis, o que permite produzir cereais, nomeadamente o milho, massango e massambala, em grande escala, além das culturas de feijão, abóbora, batata-doce, batata rena, trigo e hortofrutícolas, suportadas, em parte, pelo canal de irrigação das Gangelas (sede do município).
Atualmente, o perímetro irrigado das Gangelas encontra-se em estado de abandono, e as suas Infraestruturas vandalizadas, situação que está a contribuir para a diminuição da produtividade no município, visto que o canal beneficia 500 utentes. Chibia controla cerca de 34 associações e 15 cooperativas, integradas por um universo de 95.345 agricultores. Na campanha agrícola de 2018/2019, foram preparados cerca de 110.000 hectares de terra, sendo 27 mil hectares para cereais, 33 mil para leguminosas, cucurbitáceas e tubérculos, e seis mil hectares para as fruteiras. Mas a situação pluviométrica ajuda pouco.
Indústria mineira e agroalimentar.


A Indústria mineira desempenha um papel de extrema importância no processo de desenvolvimento do município, com destaque para a exploração de granito negro, azul, platina e caulina. Na Chibia, um total de 11 empresas trabalha na exploração de granitos, nas comunas de Capunda – Cavilongo e Quihita.


Além da existência de uma fábrica de louça sanitária e outra de cerâmica, no domínio da indústria agroalimentar, o município controla 24 pequenas e médias unidades fabris e de transformação de bens alimentares como o pão, chouriço caseiro, fuba de milho e mel. O município tem um potencial turístico muito grande, bafejado pela natureza. Apresenta locais lindíssimos, como as cascatas da Hungeira, barragem e dique das Gangelas, grutas de Khangalongue e da Lufinda, fenda da Malola, açudes da Quihita e do Jau, que bem explorados podem gerar muitos empregos entre a juventude.
Milhares de bovinos.


No município da Chibia predomina a criação de bovinos, caprinos, suínos, ovinos, equinos e asininos, destacando-se também a criação de espécies associadas à dieta alimentar das populações, nomeadamente, coelhos e aves de capoeiras.Na localidade, o efetivo pecuário é constituído por cerca de 170 mil bovinos, 16 mil e 140 caprinos, 44 mil e 250 ovinos, e 49 mil e 150 aves. Para manter a sanidade animal são controladas quatro mangas de vacinação e os seus respectivos tanques banheiro de construção definitiva, e 27 mangas de construção rústica, para combate de várias doenças, como a peripneumonia contagiosa bovina, hematite nodular, carbúnculo hermético, carbúnculo sintomático e sarna. Devido à falta de vacinação, nos últimos cinco anos as autoridades locais registaram a morte de 514 cabeças de gado bovino.
Por dentro
A Chibia é um dos 14 municípios da província da Huíla. A sua sede, com o mesmo nome, situa-se a 42 quilómetros da cidade do Lubango. Faz fronteira com os municípios do Quipungo, Gambos, Humpata, Lubango e Virei, este último do Namibe.
Com uma extensão territorial de 5.281,26 quilómetros quadrados, a localidade está subdividida em quatro comunas, designadamente Capunda-Cavilonga, Quihita, Jau e a comuna sede. De acordo com o Censo Populacional de 2014, com aproximadamente 221.896 habitantes, a Chibia é o terceiro município mais populoso da Huíla. Agrega, a seguir ao Lubango e Matala, a terceira maior praça eleitoral da província que ocupa a segunda posição no ranking nacional.
A maior parte da população pertence ao grupo etnolinguístico Ovanheka Humbi, contando também com alguns Ovimbundu, Nganguelas, Ovatuas e Khoisan, entre outros grupos.


Fonte: Jornal de Angola