Desde 2008 que as chuvas deixaram de cair regularmente na Huíla, afectando principalmente as comunidades dos Gambos, Quipungo, Chibia, Cacula e Quilengues.
A irregularidade das chuvas na região sul é notória. A nível da Huíla, no ano em curso, registam-se fracas precipitações, sob forte risco de comprometer a presente campanha agrícola.
Ao falar sobre possíveis soluções para a contrariar o fenómeno, o ambientalista Valter Chissingui apontou como solução um melhor aproveitamento do caudal permanente do rio Cunene, que atravessa a província.
Deste rio, prosseguiu, pode-se captar água através de canais para a parte ocidental da Huíla, com recurso a tecnologias e mais investimento.
Afirmou que há também necessidade de se incrementar o número de estações de monitoramento a nível do território angolano, para daí ter-se informações atempadas e credíveis do clima e do tempo no país.
Outrossim, o professor-doutor apontou a necessidade de se construir barragens de retenção de água no meio rural, evitando que quantidades incalculáveis dos cursos permanentes, e não só, se percam no mar.
Para ele, esse é um mecanismo que pode ser bem aplicado em zonas maís elevadas, como o Lubango, Humpata e Chibia, devido a cordilheira da Chela, onde podem ser construídas barragens para irrigar os campos.
Para o antropólogo Helder Bahu, é necessário um estudo mais aprofundado e urgente para poder-se garantir alguma sustentabilidade ao longo dos próximos anos.
Salientou que o gado nessa altura começa a sofrer com a falta de água e de pasto, resultando em “desespero” dos criadores que acabam por vender os animais a preços baixos.
Por seu turno, a agrónoma Yelena Noblet, disse que a situação vai se agravando todos os anos, deixando os camponeses mais vulneráveis.
O governador da Huíla, Luís Nunes, durante uma visita ao município dos Gambos, na semana finda, frisou que este ano apostou-se forte na agricultura familiar, com a introdução da mecanização, com campos lavrados, gradeados e semeados, mas lamentou a falta de chuvas.
“Infelizmente a natureza pregou-nos essa partida, mas temos de correr e tentar minimizar o sofrimento das nossas populações. O quadro da seca é complicado, principalmente nos Gambos que é a zona mais afectada da Huíla, pois embora este ano a seca bateu a província toda”, lamentou.
Como forma de minimizar a situação, no quadro do PIIM, estão em curso naquele município obras de reabilitação de 23 pontos de águas, bem como a construção de um sistema de irrigação e abastecimento de água à sede municipal.
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